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JUCEAL

Junta Comercial do Estado de Alagoas
Terça, 21 Janeiro 2020 17:14

De registros a relatos, a otimista perspectiva do empresariado de Alagoas para um novo ano Destaque

Reportagem especial feita pela Junta Comercial traz uma nova forma de contar histórias relacionadas ao registro empresarial, indo além dos números

Texto de Hotton Machado

“Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos! Caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acordar novo, forte, alegre, cheio de paixão”

 

É assim que abre Milton Nascimento em Credo, música inaugural do álbum Clube da Esquina 2. Um hino de resistência e exaltação ao povo brasileiro em pleno período de Ditadura Militar. Falar da força do povo brasileiro não é algo tão incomum na arte, também pudera, desde a sua colonização por exploração ser brasileiro é ser confusamente resistente. Os dias continuam difíceis, o dia a dia aperta.

 

Em Alagoas, a situação está mudando. A unidade federativa tem, ao longo de sua história, exemplos de persistência. Na época atual, o estado mostra força com os pequenos, e isso vale também quando se fala sobre a sua economia e os seus tipos de negócio. Ao todo, de acordo com a Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal). São 175.237 micro e pequenas empresas existentes, em sua maioria, com, no máximo, duas pessoas tocando o empreendimento.

 

A época soa para uma retomada. O crescimento de negócios abertos tem sido gradual e as novas oportunidades vêm surgindo. Ainda de acordo com o órgão alagoano de registro, até o final de agosto, foram constituídos 18.625 mil empreendimentos, o que contrasta positivamente com as 7.277 extinções feitas no mesmo período.

 

Com um novo ano, a perspectiva é sempre de melhora. O que a realidade mostra? Será que esse otimismo é verdadeiro? Fui a campo, na raiz do jornalismo, conversar de olho para olho com as pessoas. A realidade traz as suas barreiras, mas o panorama esperançoso deu seu tom em cada palavra proferida por aqueles que vivenciam esse dia a dia.

 

Além dos números, que histórias, que relatos trazem esses empresários em que a sua pessoalidade é vista apenas no nome empresarial? Não são dígitos, são vozes. Cada um tenta seguir de uma forma. Ninguém consegue fugir de si. As palavras mostram muito.

 

Teresa e Ana Paula

Maceió se expressa de formas imprevisíveis para aqueles que aqui moram. A ciência explica, mas a gente nunca se acostuma. O mês tinha se mostrado com um tempo instável, onde as chuvas eram parceiras diárias e ficar sem guarda-chuva não soaria como uma boa opção. Nesse dia, o céu estava limpo. O sol brilhava como em muitos dias não havia se visto e o calor apertava. Um dia perfeito para escrever.

 

O encontro havia sido marcado com antecedência. Algumas trocas de mensagens por e-mail e um telefonema para confirmação foram o bastante para decidir que, de tardezinha, logo após o almoço, a entrevista poderia ser feita.

 

O trânsito de Maceió parece que respira em dias de sol. Sem chuva, o fluxo é fácil até pela principal avenida da cidade, a caótica Fernandes Lima. Ambientado por uma rádio qualquer, que tocava a martelante Cobaia da cantora sertaneja Lauana Prado, o motorista puxa conversa. Do início de um papo cotidiano, solta: “A gente tem que cuidar melhor da saúde, né”. A partir do pensamento, ele começa uma história sobre um amigo que sofreu um AVC, mesmo na casa dos quarentas anos, e isso o levou a questionar a sua rotina e começar a caminhar na praia diariamente.

 

Enquanto o carro marcha em direção ao bairro da Pajuçara, a conversa segue em outro caminho. “É bom que a gente vai pela praia”, penso. Tudo anda, virando a curva e avistando o mar. É como se aquele azul esverdeado comum nos dias ensolarados convidasse para um dia mais agradável. Saúde mental também é importante.

 

O local de destino marca uma galeria, que situada na Rua Durval Guimarães, divide-se entre a imensidão dos grandes prédios residenciais e agonia do trânsito inchado da Ponta Verde. Paramos. Agradeço pela viagem e sigo. A clínica BabyBem fica no andar superior da galeria Maria Dirce. Alguns degraus para encontrar, de forma tímida, uma sala que já na sua entrada recepciona com boas-vindas.

 

Na porta, quem me recebe é uma moça sorridente, trajando um uniforme da área de saúde adornado com detalhes coloridos. Ao fundo da sala, caminhando em minha direção vem, trajando o mesmo uniforme, uma jovem senhora de feições mais discretas. Teresa Tenório (com ‘s’ como ela faz questão de salientar), de 51 anos, e Ana Paula Barros da Silva, de 29, são as enfermeiras-empresárias responsáveis pela clínica BabyBem, um empreendimento voltado para serviços de vacinação e imunização humana.

 

Os nomes podem não decifrar, mas a relação das sócias é bem mais íntima. Teresa e Ana Paula são mãe e filha e criaram uma sociedade limitada a partir do afinco e da experiência que ambas tiveram com a enfermagem. A primeira, Teresa, não teve dúvidas da área a seguir, mas foi somente ao passar no concurso do Hospital Geral do Estado (HGE), em 2003, que o seu caminho foi costurado à pediatria.

 

“A coordenadora olhou pra mim e disse assim: ‘Você tem cara de que gosta de crianças. Vai pra pediatria’. E desde então é só pediatria. Sou apaixonada por assistência, gosto demais de trabalhar na área”, conta.

 

A influência da mãe é clara em Ana Paula. Mesmo traçando seu próprio caminho, as histórias profissionais das duas foram se alinhando. Juntas, somaram experiências. “Eu observei muito caminho dela. Vi o trabalho e comecei a ter esse apego. Ela sempre falou: ‘Quando você terminar a faculdade, você faça alguma coisa na área de criança, porque é a melhor área que tem para trabalhar’. Só que aí eu não fui para a área hospitalar, eu fiquei na parte de prevenção. Foi algo que surgiu logo que eu terminei a faculdade e que me conquistou”, ressalta.

 

 

A BabyBem não é só vacinação! Elas fazem questão de destacar. Como num grande crochê, foram angariando experiências, diversificando a formação para, no fim, como uma literal sociedade, juntar forças e compartilhar o conhecimento. Na clínica, além do trabalho de prevenção, elas promovem uma consultoria em amamentação. Sem glamour e terapêutica. A maternidade respeitando as suas dores e as suas curas.

 

Durante a conversa, Ana Paula sempre se predispõe a iniciar as respostas, enquanto a mãe observa, ressabiada, os rumos que a filha dá a cada questionamento. Ora ela aguarda, ora pontua as falas, e inicia também quando vê uma pergunta mais pertinente à sua vivência. Num pensamento quase uníssono, elas parecem se entender bem.

 

A vontade de abrir o próprio negócio foi sendo desenvolvida aos poucos, como algo das duas e diferindo do futuro programado para profissionais de enfermagem, como elas mesmas definem. “Todo mundo tem aquela mesma ideia: uma pós, um concurso, uma pós, um concurso. Aí eu disse: ‘A gente vai fazer diferente, a gente vai abrir o nosso negócio’. Então a gente foi montando”, reforça Teresa.

 

O que cresceu como um ideal de empreendimento, surgiu das redes sociais. Antes de ter a clínica, as enfermeiras registraram o nome BabyBem para iniciar as consultorias e daí passaram a utilizar o perfil no Instagram para divulgar o serviço, algo ainda no boca-boca e no olhar-tela. Somente com um público firmado o próximo passo seria dado, pensaram. Hoje a página conta com mais de mil seguidores, que se debruçam em vídeos produzidos pelas próprias empresárias com dicas sobre imunização e em fotos que destacam o intuito do negócio: família.

 

Para dar sequência à abertura do negócio, então, Teresa e Ana Paula buscaram um passo além do conforto que enfermagem trazia. “A gente foi para o Sebrae. Mas a gente foi pro Sebrae praticamente um ano antes de vir aqui. Depois que a gente teve uma orientação lá, a gente ainda brecou um pouco, depois deu uma ajeitada. Eles nos deram dicas e direcionamentos, porque tínhamos muita dúvida. Como a gente é da área da saúde, a gente não entende dessa parte burocrática. Aí eles explicaram a questão de alvará, registro da marca, tudo isso”, relata a mais nova.

 

O primeiro passo para abrir um negócio é promover o registro empresarial, garantindo Número de Identificação do Registro de Empresas (Nire) e Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para o empreendimento, o que pode ser feito de forma totalmente online, como sempre noticia a Junta Comercial. Somente depois de registrada a empresa, é que se dá sequência à obtenção de licenças e alvarás.

 

A empresa, que tem razão social TENORIO & BARROS LTDA, foi constituída em 10 de dezembro de 2018, data também em que elas alugaram o local onde funciona a clínica. Por outro lado, as enfermeiras-empresárias contam que foi somente em março que elas conseguiram realmente abrir o negócio e começar a empreender. De organização do espaço, compra de equipamentos, como a câmara que refrigera as vacinas, novas inquietações, verificação maior do local para, então, o contexto ser completamente resolvida. Um esforço hercúleo e há quem não dê o devido valor aos agentes biológicos que são as vacinas, não é mesmo?

 

Na era das notícias falsas, do questionamento burro, onde estudos de especialistas são refutados incrível e ironicamente por opiniões, as vacinas viraram temas comuns da agenda pública. Pode ser devido à errônea descrença no funcionamento dos agentes, o desconhecimento quanto às doenças e até à crise econômica, mas a falta de imunização é grande. Uma pesquisa feita neste ano pela Faculdade São Leopoldo Mandic, de São Paulo, revelou que, de 352 pessoas entrevistadas, 23% responderam hesitação e 7% recusa em imunizar os filhos. Números bastante altos que reverberam para volta de certas doenças, como o sarampo, do qual, somente desde junho, foram registrados 2.753 casos pelo Ministério da Saúde, incluindo 4 mortes.

 

“Como essa nova geração não acompanhou essas doenças mais antigas, tudo que foi erradicado ou controlado, o pessoal acha que são doenças que não vão mais voltar, como o sarampo, que tinha sido erradicado e voltou com toda força. E essa descrença também acontece por justamente achar que essas doenças não existem mais, mas elas são consoladas devido à vacinação. Esse é um trabalho que a gente vem desenvolvendo bastante também aqui, o de comunicação”, explica Ana Paula.

 

De conversa em conversa, atendimento em atendimento, uma labuta focada nas pessoas. E foi com a evolução do negócio que o contato com a clientela foi surpreendendo e distinguindo-se até do que a pesquisa em busca do público alvo mostrou. A escolha pela Porta Verde foi prioritariamente pelo poder aquisitivo da população que habita o caro bairro. Maceió é uma cidade de contrastes e que não cansa de surpreender. A desigualdade é clara e visível, podendo apresentar regiões com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) similar a países africanos como o Quênia, o que é o caso do populoso bairro Benedito Bentes (0,522); até regiões em que o IDH supera o de países como a Noruega, o que retrata a conjuntura da Ponta Verde (0,956) - como mostra o Atlas do Desenvolvimento Humano, lançado em 2015. Mas Maceió não cansa de surpreender.

 

Nos poucos meses de real funcionamento, elas receberam gente de todo tipo de classe social, o que, no boca-boca, ajudou a espalhar o negócio. Santos Dummont, Farol, Antares, de todo lugar. “A gente faz pequenas divulgações com panfletos e tenta ir a lugares que tenham uma circulação. Além disso, como aqui tem várias escolas e creches por perto, isso também fez com que a gente tivesse a ideia de colocar por aqui e também ter uma certa distância das outras clínicas”, conta Teresa.

 

O local onde a clínica fica situada é alugado, mas, pela própria experiência adquirida, elas não pensam em sair. Após os dois anos de contrato, a ideia é buscar uma sala no andar de baixo. Uma maior visibilidade também é uma intenção, mas o foco é facilitar o acesso para mães com recém-nascidos e para idosos, situação essa até que as levaram a aplicar vacina dentro de um carro.

 

Tratando-se de Maceió, o tempo é incerto. O olhar do futuro se mistura com a experiência do presente e se esbarra com a expectativa do passado. O que foi vivido tem valido à pena?

 

“A gente já tinha sido orientada que o primeiro ano é um ano mais difícil, que a gente não ia conseguir tirar lucro. O nosso objetivo era que pelo menos a gente conseguisse pagar as contas e que a gente não tivesse que tirar do nosso bolso, mas, graças a Deus, a gente consegue pagar e até, assim, implementar na decoração. Conseguimos esse poltrona, que, de início, a gente não tinha e, com isso, vamos fazendo algumas coisinhas de decoração pra deixar mais aconchegante”.

 

O ambiente é a alma do negócio. A clínica BabyBem possui duas salas: uma de recepção e outra para atendimento. Os espaços são pequenos, mas acolhedores. Em cada parede, um detalhe pensado, de tom lúdico, que parece falar bastante no silêncio da sala postada no meio da inquietação da Ponta Verde. Na poltrona, um ambiente de descanso. Elas contam que é o lugar preferido das mães e dos bebês, que, quando amamentados, ficam tranquilos para receber a vacinação. Por vezes, elas apagam as luzes e a quietude também se torna repouso. No escuro, a iluminação fica a cargo das estrelas pintadas na parede em referência ao Pequeno Príncipe. Silêncio! Excepcionalmente nesse momento, nem Antoine de Saint-Exupéry poderia pensar nessa metáfora. Na saúde, o essencial também pode ser invisível aos olhos.

 

Alagoas

De acordo com previsão do IBGE, a estimativa é que sejam 3.337.357 pessoas tentando seguir por essas terras. Uma população que tem seus maiores números entre crianças e jovens de até 19 anos, característica essa que dá uma expectativa para os passos futuros.

 

A situação já foi pior e o momento atual soa como uma retomada. Vai além, tem se mostrado de crescimento.

 

Em relação à sua administração, o Governo do Estado mostra que Alagoas conseguiu retomar o patamar econômico anterior à crise de 2015 que assolou o país. Para isso, colocam-se como base pela Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz/AL) e pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), o equilíbrio da situação fiscal com melhoria da gestão orçamentária e financeira através de legislação, redução de cargos e modernização nas arrecadações.

 

Por outro lado, para geração de empregos e prospecção de grandes empreendimentos, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) cita a retomada e o aperfeiçoamento do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado (Prodesin), uma maior análise do potencial de investimento de cada região alagoana e a venda do destino de Alagoas para alavancar o turismo.

 

As ações tiveram seu efeito. O Produto Interno Bruto (PIB) do estado, em 2018, apresentou crescimento de 1,53%, acima do indicador nacional, que foi de 1,10%. Em 2019, mais um passo dado. A previsão feita pela Seplag é que, de janeiro a setembro, o número obtido no indicador seja de 2,44%.

 

Em um ambiente de busca pela retomada do crescimento econômico, qual seria o impacto no pequeno e microempresário e na formalização desses tipos de negócios?

 

Alagoas possui 190.737 empresas com registro ativo. Dessas, 48.783 são microempresas - negócios com renda bruta anual inferior ou igual a R$ 360 mil -, 10.349 são empresas de pequeno porte - negócios com renda bruta anual superior a R$ 360 mil e inferior a R$ 4,8 milhões – e 15.500 são as consideradas empresas sem porte. O restante e maior montante, 116.105 empresas, representam os microempreendedores individuais (MEIs). Ou seja, do total, 91,92% são micro e pequenas empresas.

 

Ainda sobre o número total, mas observando os municípios nos quais são situados, o maior valor é encontrado em Maceió, com 88.820 empreendimentos, o que representa 46,57% do total. A lista com os maiores quantitativos segue com Arapiraca (16.704 empresas), Rio Largo (5.512), Penedo (4.574), Marechal Deodoro (4.108), Palmeira dos Índios (3.840), São Miguel dos Campos (3.538), União dos Palmares (3.389), Delmiro Gouveia (2.876) e Coruripe (2.868).

 

Sob outra perspectiva, em relação às atividades econômicas mais encontradas, estão os negócios que têm, como código principal na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (15.454); comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios - minimercados, mercearias e armazéns – (10.468); cabeleireiros, manicure e pedicure (7.386); lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares (5.412); comércio varejista de bebidas (4.396); restaurantes e similares (4.139); e comércio varejista de materiais de construção em geral (3.923).

 

Para o presidente da Juceal, Carlos Araújo, a facilidade para que o empresário possa ter acesso a seu registro, tanto para constituição, alteração, ou até mesmo para a baixa, possibilita o crescimento do setor e permite que a economia de determinado local não fique parada devido à rápida possibilidade de abertura de novo negócio, o que foi impulsionado pela Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).

 

Administrada no estado pela Junta Comercial, a Redesim é um projeto nacional estabelecido pela lei federal de nº 11.598/2007 que visa criar um ambiente digital e único em que o empresário possa realizar todos os trâmites em relação ao registro e ao licenciamento do negócio, sem necessitar deslocar-se a vários órgãos e gerar várias guias do mesmo documento. Para as entidades integradas, o projeto permite uma comunicação entre elas a fim de saber a situação de cada negócio aberto no estado.

 

De acordo com ranking produzido pela Receita Federal, desde 2015, Alagoas é a melhor unidade federativa do país em relação ao nível de implantação e qualidade da Redesim. A interface da rede no estado é o Portal Facilita Alagoas, ferramenta na qual o empresário pode iniciar o processo de registro da empresa com a consulta prévia – pesquisa para saber se o negócio pode exercer a atividade em determinado local -, gerar parte da documentação e dar entrada ao processo, que tramita na Junta Comercial.

 

No portal, após Nire e CNPJ gerados com autenticação do registro mercantil, o empresário também pode solicitar algumas licenças e alvarás. Dependendo do risco da empresa, o empresário pode sair com todas as documentações necessárias para o empreendimento funcionar.

 

O Facilita Alagoas conta com serviços da Junta Comercial, da Receita Federal, da Sefaz/AL, do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL), da Vigilância Sanitária, do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), da Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh) e das 102 Prefeituras alagoanas.

 

“Com um trabalho fortalecido a partir de 2015, nós obtivemos sucesso e temos uma boa quantidade de órgãos integrados. Ainda existem documentos que ainda não estão disponíveis, mas isso é um trabalho que sendo feito, inclusive retomamos o foco para essas melhorias com reuniões com essas entidades para fomentar ainda mais esse serviço no estado. O foco na melhoria de sistemas também tem sido trabalhado, como o do Corpo de Bombeiros e o da Vigilância Sanitária, e a perspectiva para 2020 é a melhor possível”, explica.

 

O registro empresarial moderno é uma realidade, faz questão de salientar o gestor, mas ele prevê ainda uma junção de forças maior para ampliar a evolução do licenciamento empresarial no estado. Alguns documentos, sobretudo para o alto risco, necessitam de análise mais elaborada e, com isso, demandam mais tempo, porém, aos poucos, isso tem sido diminuído. Um passo de cada vez, assim como numa gestão de uma empresa, analisando cada etapa, a Redesim tem crescido.

 

Valter

São Pedro estava do meu lado. A estação oscilante ainda se fazia sentir, mas o dia estava aberto e claro. O sol imperava em mais uma semana que o tempo instável em Maceió foi rotina. Realmente era dia para escrever. Da claridão, a rota caminha novamente a Maceió.

 

O caminho que se lê é o caminho em que a narrativa foi construída. O restaurante Gardênia, Cozinha Saudável, foi o local da última visita, do último contato de vários relatos.  Comunicação essa que começou com a uma resposta de e-mail direta e desorientada: “Como faço pra responder?”. Pessoalmente sempre é a melhor a resposta.

 

Dessa vez, o trajeto foi diferente. A Avenida Fernandes Lima fluía mais uma vez. Fora do horário de pico, tudo parece funcionar melhor em Maceió, inclusive a dinâmica dos ônibus. Pegar uma condução às 10h da manhã com direção ao Centro é se deparar com o coletivo rodeado por senhorinhas que parecem encontrar no comércio maceioense uma resolução para os problemas.

 

Não foi diferente dessa vez. Observando o movimento de uma cidade que pede por dias de sol e esperando um percurso que não é tão longo, senta ao meu lado uma senhora. Nas mãos, as moedas do troco da passagem, que pareciam gesticular para si mesma as contas que deve fazer para custear um preço tão além da realidade. O pensamento vem à mente e martela: o quanto de um salário mínimo fica em passagens diárias de ida e volta sendo cobrado um valor de R$ 3,65?!

 

O corredor dos ônibus na Rua do Comércio é Maceió em seu inchaço populacional. Vendedores e clientes digladiam por cada espaço de calçada, disputando até na rua com a corrente ininterrupta de coletivos, isso sempre com ambientação extremamente perceptível dos gritos louvando os preços mais baratos. De um lado o caos corriqueiro, do outro, nos fones, Elliott Smith empunhava aquela sobre histórias entre bares. Saúde mental também é importante.

 

A andada é grande e o calor não ajuda. O sol faz morada, ainda mais em uma cidade onde apenas 57,1 % das vias públicas são arborizadas, segundo o censo de 2010 do IBGE. Na pele, a sensação é de que existem ainda menos árvores a cada passada dada.  O restaurante Gardênia fica no extremo do Centro, quase beirando a esquina da Rua do Livramento, que liga o calçadão com um ambiente com menos lojas e mais instituições públicas. A fachada verde recepciona.

 

 

Diferente do mar de gente e ruído que ocupa o lado de fora, o ambiente interno apresentava aquela tensão pré-expediente – silêncio com um misto de preparo. Vindo da rua, o som da vendedora buscando clientes enquanto ao fundo tocam as mais novas da Ariana Grande ecoa, o que me toma a atenção, mas logo vem uma chamada: “É com o seu Valter? Só um momento que ele está vindo”. Escolho uma mesa dentre as inúmeras opções que manhã em um restaurante poderia oferecer e espero.

 

Valter de Freitas é o responsável pelo local. O tratamento é educado, mas nada de formalidades. O dia parecia ter sido corrido. A roupa mostrava uma figura que opta pelo simples e básico. Na testa, dava para perceber a marca feita pelo chapéu. Havia sido dia de escolher os produtos.

 

“É complicado, né. A mercadoria entra cara, a gente tem que baratear o produto e a margem de lucro não é tão alta, mas se a gente tenta ter um incentivo maior”, emenda como se aproveitasse o momento.

 

O gestor, de expressão inquieta, mas de voz mansa, não tem problemas para falar sobre o negócio. Sobre ele, as palavras nunca são poucas - possivelmente uma vida baseada em vários afazeres que o fizeram se adaptar ao momento. Por outro lado, quando os temas caminham para introspecções, as respostas são as mais breves.

 

Natural de São Paulo, o empresário tem 40 anos, onde mais de 30 desses foram vividos em territórios alagoanos. Já é nordestino! Isso, como destaca, muito pelo clima hospitaleiro e amigável do povo daqui, o que faz com que, em seu trabalho e pela rotina, crie laços de amizade, diferindo da visão que possui com as experiências no estado sudestino – tudo estritamente profissional.

 

A ideia de ter um negócio não partiu da novidade por uma nova empresa, mas por aproveitar o nicho do produto. Com mais de dez anos de mercado, a empresa Gardênia, Cozinha Saudável, existia, em sua essencialidade, como comércio de produtos orgânicos. Ao ficar sabendo que o antigo proprietário estava se desfazendo do ambiente e da marca – desgostoso com as dificuldades do mercado– decidiu investir na empresa e ampliar o serviço.

 

“A gente queria algo novo, então metemos a cara. Não vou dizer a você que seja fácil, porque hoje a mercadoria em si se torna muito cara, mas a gente tenta ter um produto de qualidade. A gente trabalha com a área natural, que é uma área interessante, então o produto tem que estar 100% saudável. É um produto que você não tem como enganar, o cliente já espera isso. O meu buffet, se você chegar ali e olhar, você já sabe se o produto presta ou não presta. Eu não tenho como colocar um produto de má qualidade, porque os seus olhos já estão vendo e o seu provar vai dizer o resto”, frisa.

 

O barulho que vem do lado externo faz parte da conversa, é quase um personagem vivo que, a todo o momento, faz questão de se mostrar presente. Contudo, o ruído não atrapalha a confiança em que fala sobre o negócio. No Centro de Maceió, não poderia esperar outra coisa: o produto a ser vendido.

 

Se o negócio começou da venda de cereais, aos poucos ele vem ganhando outras facetas. Com um entusiasmo quase inabalável, Valter fala sobre a busca pelo diferencial com a cozinha japonesa. Do original sushi japonês ao vegano. Com legumes, com abacaxi, morango ou kiwi. Sem leite para o vegano. E a exibição do empreendimento continua.

 

Como o ambiente foi praticamente mantido da estrutura antiga, com ressalvas para adaptações com poucas reformas, o registro para a constituição do negócio não demorou, apresentando a abertura do empreendimento datada em 22 de maio de 2018. Houve uma preocupação anterior, inclusive com o licenciamento do negócio e, em especial, com a Vigilância Sanitária.

 

“Não adianta você reclamar querendo que sejam só facilidades, se eles têm meta a se cumprir, como temos metas aqui. Eu não posso botar um produto de qualquer jeito e eles também não podem fazer o trabalho deles de qualquer jeito. Eles vão cobrar o que acham que é necessário a ser cobrado e a gente, como empresário, tem que fazer o que eles determinam. A gente não pegou do jeito que estava e foi atrás. A gente se preparou antes, correu atrás do que a gente já entendia, preparou o que a gente viu que estava errado, resolvemos e depois demos entrada em todos e já foi tudo resolvido”, explica.

 

Quando a confiança está em alta, a fisionomia de qualquer um muda. O que era inquietação no princípio, ganha outro contorno, um sinal de que as coisas estavam realmente dando certo. A experiência em pouco mais de um ano tem sido positiva, mas poderia ser ainda melhor.

 

Para Valter, a localidade ainda não é a ideal. O desejo é que a empresa se desenvolva, sendo possível alugar um espaço mais próximo do ponto central do calçadão. De passo em passo, para, quem sabe, também poder ampliar o negócio e ter uma alternativa além das possibilidades do Centro maceioense, do qual ele elogia o contato com as pessoas.

 

“O que a gente precisa um pouco é que o Comércio ficasse mais bonito, porque muitas pessoas hoje vão pros shoppings e esquecem que aqui também tem variedades. Eu conheço muitas pessoas que tem mais de anos que não vêm ao Centro, vai tudo resolver nos shoppings”, comenta.

 

Aparência, sinalização, arborização e até a intrometida poluição sonora – vilã de qualquer comunicação – são pontos colocados como melhoria, mas sempre da forma mais cordial possível, exaltando os ditos colegas de espaço. Na melhor e despretensiosa forma, um comerciante sendo comerciante.

 

Nas falas, a inclinação para a área é clara, mas Valter revela que a escolha por um restaurante não foi sua primeira opção. Antes de investir no espaço do Gardênia, ele pretendia abrir um empreendimento na área da beleza. A intenção continua ali, no fundo da voz que se esvai aos poucos como se quisesse falar mais do que pode, mais do que o profissional expõe.

 

Hoje o restaurante é o seu foco total. A satisfação pelo tipo de negócio é notória, muito também pela clientela. “O meu público é diferenciado aqui, então graças a Deus, nisso é o que me leva, e o meu público é fiel”. Uma frase que se conectaria melhor na fala de um artista que exalta o seu espetáculo. É entendível. A gente se expressa da forma que pode, cada escolha de palavra vem de uma experiência e há quem diga que a vida é um grande teatro. De todas as formas, é entendível.

 

Com o passar dos minutos, a hora do almoço se aproxima, o clímax de qualquer restaurante. O cheiro se sente, as pessoas vão chegando. A rotina de cada dia continua, há quebras para todos – como a própria entrevista é -, mas, de uma forma ou de outra, segue-se. Então, e quanto ao futuro?

 

“Ah, a gente tem pretensão de abrir Gardênia em todo lugar de Alagoas. Essa é o sonho da gente. Arapiraca, Palmeira, shopping, área da Via Expressa. A gente tem que ter aquele foco de igualdade, onde ele tiver tem que ser igual. E a cozinha da gente é aberta ao público, viu. Hora que chega e quer conhecer, a gente leva lá em cima. Graças a Deus, assim, a gente tem orgulho de chegar na hora do pico, levar você dentro da cozinha pra vir ver. E eles tão lá trabalhando, à vontade. É isso, a Gardênia é a comida que veio pra dar um diferencial, né. Dar um sabor de saúde. Algo bem transparente. Nosso produto é isso que você está vendo.”

 

A hospitalidade nordestina, gravada na vivência, tem forma também no convite para almoço. Agradeço e agradeço ainda mais pelas palavras, uma vez que não é todo mundo que deixaria qualquer casualidade quebrar com sua rotina diária.

 

Na saída da Gardênia, o misto de calor e agonia cotidiana do Centro maceioense continua ali. As várias vivências continuam ali. De muito que já se criou, de muito que já se transformou. Negócios, empresas, vivências. Passo em passo, procurando seguir em frente.